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Aleitamento materno em filhos de mães COVID-19 positivas

LEANDRO MEIRELLES NUNES

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Objetivos

Ao final da leitura deste capítulo, o leitor será capaz de

 

 

  • reconhecer as evidências atuais sobre a presença do SARS–CoV-2 no leite materno;
  • identificar as precauções necessárias para que a mãe COVID -19 positivo possa amamentar;
  • orientar sobre a doação de leite humano (LH) por mulheres COVID-19 positivas.

Esquema conceitual

Introdução

A COVID-19, declarada pandemia em 11 de março de 2020 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), surgiu como um surto de pneumonia em Wuhan, na China, em dezembro de 2019. Posteriormente, descobriu-se que a doença foi causada por um vírus RNA de fita simples, denominado SARS-CoV-2.1

O vírus é conhecido por ser transmitido por gotículas de um indivíduo infectado e leva a uma variedade de sintomas que afetam o sistema respiratório, entre outros.1 A COVID-19 tem se espalhado pelo mundo todo muito rapidamente. Em 30 de maio de 2021, mais de 169 milhões de casos confirmados foram relatados em todo o mundo.2

Mulheres grávidas e recém-nascidos (RNs) podem ser considerados populações de alto risco durante a pandemia de COVID-19, pois sua vulnerabilidade para adquirir qualquer moléstia infecciosa geralmente é maior em virtude da imunidade reduzida durante esse período.3

Embora os dados iniciais de estudos menores tenham sugerido que a gravidez não aumentasse o risco de contrair a infecção por COVID-19 e a gravidade da doença para gestantes não fosse diferente da população em geral,3 dados mais recentes demonstram que mulheres grávidas com COVID-19 apresentam maior probabilidade de demandar internação em unidade de terapia intensiva (UTI), de receberem ventilação invasiva e oxigenação por membrana extracorpórea (em inglês, extracorporeal membrane oxygenation [ECMO]) e de terem maiores taxas de mortalidade em comparação com mulheres não grávidas que têm COVID-19.4

Esses achados podem estar relacionados a mudanças fisiológicas da gravidez, como aumento da frequência cardíaca e do consumo de oxigênio, modificação na imunidade celular, capacidade pulmonar reduzida secundária ao deslocamento diafragmático e aumento do risco de tromboembolismo.4 Dessa forma, deve-se ter cuidado tanto pelas mulheres grávidas quanto pelos seus RNs, pois há muitos aspectos desconhecidos sobre essa enfermidade.

Por outro lado, a amamentação é benéfica tanto para a mãe quanto para o RN. O leite materno pode servir como fonte de muitos nutrientes necessários para RNs e lactentes amamentados durante os primeiros meses de vida e fornecer a imunidade necessária contra diversas enfermidades.5 Esse é um dos motivos pelos quais a OMS recomenda o aleitamento materno exclusivo durante os primeiros 6 meses de vida, o qual, em seguida, deve ser mantido junto com a alimentação complementar saudável até os 2 anos de idade ou mais.6

Neste capítulo, apresenta-se uma revisão da literatura, incluindo pesquisas e recomendações publicadas até o momento relacionadas à amamentação durante a pandemia de COVID-19. A revisão concentra-se nas evidências disponíveis sobre a transmissão do SARS-CoV-2 por meio do leite materno e nas recomendações para mães com COVID-19 positivo que amamentam, abrangendo sempre a amamentação segura e protetora, bem como as orientações atuais sobre a possibilidade ou não de doação de LH por essas mulheres.