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DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO NO TRANSTORNO DE ACUMULAÇÃO

JULIA EIGENHEER

LEONARDO F. FONTENELLE

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Introdução

Nas últimas décadas, a quantidade de posses da maior parte da população tem aumentado exponencialmente. Geralmente, esses pertences são adquiridos para aumentar a sensação de segurança ou proporcionar algum tipo de conforto. No entanto, quando eles passam a atrapalhar o uso do espaço ou não têm mais utilidade, a maioria das pessoas costuma descartá-los. Alguns indivíduos, todavia, podem perder a capacidade de determinar a real utilidade de muitos de seus pertences, passando a mantê-los para serem usados em um futuro que quase nunca chega.1

Em linhas gerais, o transtorno de acumulação (TA) é caracterizado pela dificuldade persistente de descartar itens (independentemente de seus valores reais), associada à desorganização e ao impedimento do uso adequado de partes da habitação daqueles que sofrem do transtorno.

Um componente fundamental para o diagnóstico do TA, que consta na Classificação Internacional de Doenças – 11ª edição (CID-11),2 mas que é apenas facultativo no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – 5ª edição (DSM-5), é a aquisição excessiva e intencional de itens.3 Os sintomas de TA podem gerar, além de um sofrimento significativo, uma disfunção social, ocupacional ou em outra área de importância funcional.3

Embora os sintomas de acumulação sejam conhecidos há décadas, o TA foi considerado um diagnóstico independente somente no DSM-5, em que consta no capítulo do transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e dos transtornos relacionados (TRs).3,4 Até a revisão do DSM – 4ª edição (DSM-IV-TR), os indícios de acumulação eram classificados como sintomas do transtorno de personalidade obsessivo-compulsiva (TPOC). Entretanto, quando graves, esses sintomas eram considerados do TOC. Os diagnósticos de TOC e TPOC poderiam coexistir se os critérios de ambos fossem preenchidos.4–7

Dentre as diferentes razões que sustentaram a necessidade de um diagnóstico de TA independente do diagnóstico do TOC, encontram-se as respostas insuficientes do primeiro a tratamentos padrão-ouro do segundo, como a terapia de exposição e prevenção de resposta e as medicações serotoninérgicas.8

O TA determina prejuízos substanciais na qualidade de vida dos pacientes e de seus familiares, tornando a intervenção de profissionais de saúde especializados não apenas importante, mas fundamental. Embora não existam estudos de follow up a indivíduos com TA, supõe-se que poucos pacientes irão apresentar a remissão espontânea de seus sintomas sem uma intervenção adequada. Além disso, quando comparado a outros transtornos psiquiátricos (como o próprio TOC), verifica-se que o TA conta com pesquisas escassas sobre a eficácia de diferentes estratégias terapêuticas.

Objetivos

Ao final da leitura deste capítulo, o leitor será capaz de

 

  • estabelecer o diagnóstico do TA;
  • identificar o TA em meio a seus diagnósticos diferenciais;
  • reconhecer as opções de tratamento farmacológico e psicoterápico para o TA.

Esquema conceitual

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