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Imunonutrição

Antonio Carlos Ligocki Campos

Leticia Fuganti Campos

Priscilla Barreto

epub-PROACI-C18V2_Artigo3

Objetivos

Ao final da leitura deste capítulo, o leitor será capaz de

  • identificar a relação entre estado nutricional e cirurgia;
  • listar a nutrição perioperatória;
  • ordenar os imunonutrientes;
  • reproduzir a terapia nutricional (TN) perioperatória com fórmulas imunomoduladoras.

Esquema conceitual

Introdução

Nos últimos anos, a ciência teve uma evolução surpreendente. Hoje, a maioria das cirurgias é realizada com segurança e tem baixas taxas de complicações. Entretanto, grandes procedimentos abdominais, principalmente por câncer do aparelho digestivo, ainda se associam com elevados índices de morbidade, chegando à faixa de 30% a 50% dos casos e à mortalidade de 1% a 3%.

Pacientes com câncer gastrintestinal estão expostos a risco particularmente elevado de complicações, o que pode ser atribuído aos altos índices de desnutrição nesse grupo. Tais índices se devem à ingestão oral deficiente, a alterações na absorção de nutrientes pela presença do tumor, à suboclusão intestinal, além da presença de comorbidades, que são frequentes nesses pacientes pela alta faixa etária.1,2

A cirurgia é um procedimento invasivo e causa um trauma controlado. Assim como em qualquer outra lesão, vários mecanismos de defesa são ativados após uma cirurgia. Procedimentos de grande porte podem desencadear uma resposta catabólica com consequente inflamação, catabolismo de proteínas e perda de nitrogênio. Essa resposta é proporcional à magnitude da cirurgia e pode, em alguns casos, ser prejudicial ao paciente, principalmente quando há desnutrição pré-existente.3,4

O trauma provoca uma série de reações no organismo, com liberação de mediadores pró-inflamatórios, além do aumento de catecolaminas, cortisol, glucagon e hormônios de crescimento. Ainda, o sistema imunológico está programado para liberar uma cascata de citocinas pró-inflamatórias. Todos esses hormônios e citocinas neutralizam os efeitos da insulina.

Como também ocorre redução da captação periférica de glicose, a consequência é a resistência à insulina. A hiperglicemia é própria dos estados hipermetabólicos, o que também contribui para o aumento das complicações e do tempo de internação. Além disso, a cirurgia pode deprimir a imunidade e elevar as chances de complicações, principalmente infecciosas.1,2,4