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INTELIGÊNCIA EMOCIONAL NA PRÁTICA GERENCIAL DE ENFERMEIROS LÍDERES

ROBERTA MENESES OLIVEIRA

PATRÍCIA FREIRE DE VASCONCELOS

SHERIDA KARANINI PAZ DE OLIVEIRA

LAUDICEA CARDOSO DA SILVA

CAMILA NUNES MOURA RIBEIRO

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Introdução

Nos últimos anos, os profissionais da saúde têm sido estimulados a aprimorarem suas práticas por meio do atendimento aos requisitos básicos de qualidade, visando a um cuidado mais seguro aos pacientes. Tais requisitos incluem habilidades básicas de colaboração e comunicação.

Paralelamente, percebe-se uma dificuldade nos relacionamentos entre profissionais de saúde, o que se deve, em parte, ao processo de formação/educação na área, considerada fragmentada e médico-centrada. Os provedores do cuidado em saúde são formados em nichos categóricos e hierárquicos e, quando adentram os serviços, nem sempre conseguem formar equipes capazes de resolver conflitos e de tomar decisões coletivamente.

Somado aos problemas individuais, são frequentes os fatores sistêmicos mal resolvidos, como o ritmo caótico de trabalho, a sobrecarga física e mental, a ambiguidade de funções e tarefas, as injustiças e os desrespeitos organizacionais, o que leva a relações cada vez menos empáticas e saudáveis.

Nessa perspectiva, urge a necessidade de reestruturação dos processos de trabalho em saúde, sendo os enfermeiros convocados a liderarem as estratégias de mudança e melhoria contínua em seus ambientes de prática. Esses profissionais são reconhecidos pela gestão de ambientes de prática em todos os cenários da Rede de Atenção à Saúde, além de sua formação acadêmica ser alicerçada no desenvolvimento de habilidades morais, gerenciais e sociais imprescindíveis à atuação no mercado de trabalho contemporâneo.

O cenário atual requer uma enfermagem capaz de exercer uma liderança autêntica, flexível e inovadora, conduzida por profissionais sensíveis e abertos à compreensão sistêmica dos processos de trabalho e de seus fatores contextuais, sociais e relacionais. Somente por meio de uma visão ampla dos fatores que influenciam a dinâmica e os resultados do trabalho, incluindo os individuais, é que será possível alcançar resultados melhores para os usuários dos serviços de saúde.

Aqui se destaca a inteligência emocional (IEinteligência emocional) como uma competência a ser estudada e aprimorada na prática gerencial de enfermeiros líderes, na busca de melhorar o panorama desse processo de trabalho em saúde e favorecer a construção de ambientes acolhedores, produtivos e seguros para todos, com impacto na qualidade da assistência ao paciente.

Enfermeiros inteligentes emocionalmente demonstram autoconhecimento, autorresponsabilidade, sociabilidade e autocontrole no trabalho. Como gerentes, possuem a habilidade de autogestão, além de conduzirem equipes com ética e respeito, incentivando a prática competente por meio de decisões assertivas e colaborativas. Esses enfermeiros demonstram empatia com os colegas de trabalho, em todos os níveis hierárquicos, adquirindo confiança das equipes e dos pacientes.

Neste capítulo, abordam-se conceitos, habilidades e ferramentas práticas para o desenvolvimento de IEinteligência emocional por enfermeiros líderes, destacando seu papel na gestão das emoções, na gestão de pessoas e na autogestão do processo de trabalho.

Objetivos

Ao final da leitura deste capítulo, o leitor será capaz de

 

  • definir IEinteligência emocional e suas competências comportamentais;
  • reconhecer as habilidades necessárias à IEinteligência emocional, sugerindo o emprego dessas habilidades no ambiente de trabalho e na tomada de decisões organizacionais;
  • articular os aspectos práticos da assertividade e da IEinteligência emocional na liderança e na comunicação em enfermagem;
  • descrever o papel do enfermeiro líder na gestão de emoções no ambiente de trabalho;
  • incentivar o gerenciamento das próprias emoções no processo de trabalho;
  • revisar a educação profissional e seu papel no desenvolvimento da IEinteligência emocional;
  • sugerir a aplicação da IEinteligência emocional como ferramenta para promoção e consolidação de ambientes de prática positiva.

Esquema conceitual

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