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MANEJO DE PACIENTES COM TRANSTORNO DE PERSONALIDADE ANTISSOCIAL

CIRILO LIBERATORI TISSOT

RAFAEL BERNARDON RIBEIRO

FÁBIO JOSÉ BEITES

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Introdução

Existe um ceticismo em relação ao prognóstico dos portadores de transtorno de personalidade antissocial (TPAS), não somente entre os leigos, mas também entre os profissionais de saúde mental. Geralmente, a percepção é pessimista, e não sem motivos. Contudo, a prevalência estimada, de 1% da população, é um número gigantesco em termos de saúde pública.1 Essa frequência de diagnósticos na população geral corresponde a milhões de casos, isto é, milhões de indivíduos acometidos. Assim, tal fato pressiona (ou deveria pressionar) a comunidade médica a produzir uma resposta adequada ao problema.

Se, por um lado, os esforços teóricos e conceituais para o diagnóstico se mostram mais robustos, por outro, os esforços para uma resposta terapêutica efetiva ainda são pequenos. Embora os resultados das intervenções sejam discretos e obtidos ao longo de meses a anos de acompanhamento, é importante que o médico psiquiatra esteja adequadamente informado a respeito do que é possível ser feito e que ajuste as suas expectativas e dos pacientes e familiares ao utilizar as melhores técnicas entre as disponíveis.

Para se definir uma terapêutica, é necessário que seja clara a definição diagnóstica de um dado transtorno ou doença. Houve esforço teórico relevante ao longo de décadas, a fim de estabelecer critérios para o diagnóstico, que vêm sendo exibidos nos sistemas diagnósticos da Classificação Internacional de Doenças, em sua décima edição (CID-10), e do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – 5ª edição (DSM-5).

LEMBRAR

O termo sociopatia não será abordado neste capítulo por não ser considerado transtorno ou doença, bem como a psicopatia, por opção metodológica, já que o conceito de TPAS é mais abrangente e englobaria esta última.

Neste capítulo, se discutirá o porquê de o diagnóstico de TPAS ser tão pouco realizado, além de apontar as razões para isso. Portanto, não se desenvolverá abordagem histórica do conceito, mas sim uma análise da situação atual dentro dos sistemas diagnósticos mais utilizados (CID-10 e DSM-5). Posteriormente, será realizado um levantamento crítico de toda a literatura existente sobre tratamento de TPAS.

Na sequência, serão esboçadas as principais estratégias psicoterapêuticas que apresentam alguma evidência no processo de reabilitação, a utilização da medicação como coadjuvante e a ilustração por meio de um caso clínico.

Objetivos

Ao final da leitura deste capítulo, o leitor será capaz de

 

  • identificar a situação atual da literatura sobre o tratamento de TPAS;
  • compreender a estrutura conceitual do diagnóstico de TPAS nos principais sistemas diagnósticos atuais;
  • avaliar o contexto ideal de tratamento do TPAS;
  • distinguir as diferentes abordagens psicoterápicas do TPAS;
  • entender as indicações de estratégias farmacológicas coadjuvantes na reabilitação.

Esquema conceitual

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