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NEUROPATIA NA HANSENÍASE

MÁRCIA JARDIM

MARCOS RAIMUNDO GOMES DE FREITAS

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Objetivos

Ao final da leitura deste capítulo, o leitor será capaz de

  • reconhecer a importância das alterações causadas pela hanseníase nos nervos periféricos;
  • discutir o exame neurológico minucioso em pacientes com neuropatia periférica;
  • identificar os sinais clínicos que direcionam ao diagnóstico de neuropatia pela hanseníase;
  • distinguir e interpretar os exames complementares necessários para confirmar o diagnóstico de comprometimento do nervo periférico pela hanseníase;
  • identificar o diagnóstico diferencial entre neuropatia pela hanseníase e por outras doenças do sistema nervoso periférico (SNP);
  • discutir o tratamento do paciente com hanseníase de acordo com a forma da doença, bem como a necessidade de fisioterapia e cirurgia para correções de deformidades.

Esquema conceitual

Introdução

Assista aqui a vídeo aula do capítulo.

Assista aqui

A hanseníase é uma doença milenar, mas ainda acompanhada de grande estigma social, sobretudo por causa das deformidades e incapacidades decorrentes da neuropatia periférica. A doença apresenta evolução crônica, é causada pelo agente Mycobacterium leprae (M. leprae) e corresponde à principal etiologia infecciosa de neuropatia periférica.

O quadro clínico da hanseníase é muito variado, o que torna seu diagnóstico clínico aparentemente difícil. Por ser uma doença passível de tratamento, são fundamentais o reconhecimento e o manejo precoces, a fim de evitar incapacidades físicas permanentes.

A doença ainda é considerada um problema de saúde pública. Apesar dos esforços para sua erradicação, os índices se mantêm elevados no Brasil. Dos 210 mil novos casos registrados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2016, 25.218 ocorreram no Brasil, que, em número de casos, é o segundo país mais afetado no mundo.1

A principal manifestação da hanseníase é o comprometimento da pele e dos nervos periféricos. De forma geral, 100% dos pacientes apresentam comprometimento neurológico — seja das terminações nervosas da pele, seja do tronco neural. Em 20% dos casos, o quadro evolui para deformidades permanentes, causadas pelas lesões neurológicas.1

O diagnóstico da condição muitas vezes é retardado, sobretudo por não ser considerado quando há predominância do comprometimento neurológico sem as clássicas lesões dermatológicas hipoanestésicas.

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