Entrar

Esse conteúdo é exclusivo para assinantes do programa.

PREVENÇÃO DA INFECÇÃO POR COVID-19 NA UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA NEONATAL

MARIA AUGUSTA BENTO CICARONI GIBELLI

epub-BR-PRORN-C19V2_Artigo

Objetivos

Ao final da leitura deste capítulo, o leitor será capaz de

 

  • identificar o binômio mãe-bebê e o recém-nascido (RN) de risco para infecção pelo Sars-CoV-2;
  • realizar a reanimação em sala de parto do RN de risco para infecção pelo Sars-CoV-2 de maneira segura;
  • realizar o transporte do RN de risco para infecção pelo Sars-CoV-2 com segurança entre unidades;
  • implementar medidas de prevenção da infecção por Sars-CoV-2 em uma unidade de terapia intensiva neonatal (UTIN);
  • orientar a amamentação, a ordenha de leite humano e a família no momento da alta.

Esquema conceitual

Introdução

Desde os primeiros casos de infecção pelo novo coronavírus, surgiram perguntas em relação à infecção em gestantes e as consequências para o feto, à ocorrência de transmissão vertical (TV) e à evolução desses RNs, além de questões a respeito da amamentação, dos riscos de infecção pós-natal e da evolução da infecção adquirida em curto e longo prazos nessa população tão específica.

Até o momento, foram descritos relatos de casos compartilhando as experiências e os achados de diferentes países. Apesar dos conhecimentos adquiridos até agora, muitos pontos ainda necessitam de mais esclarecimentos.

Algumas teorias e hipóteses desenvolvidas para elucidar como a infecção do RN pelo Sars-CoV-2 pode ocorrer derivam do conhecimento já adquirido de outras infecções congênitas (TORSCHZ — acrônimo de toxoplasmose, rubéola, sífilis, citomegalovírus, herpes simples e zika) e de modelos animais desenvolvidos nos estudos dos coronavírus descritos no passado (síndrome respiratória do Oriente Médio [MERS] e Sars).1

Os modelos animais avaliam se a passagem do coronavírus para o feto pode ocorrer em qualquer trimestre da gestação e parecem depender de viremia materna, exposição de receptores da enzima conversora da angiotensina (ECA) na placenta ou existência de células carreadoras que exerçam essa função.1 Essas teorias estão sendo consideradas por estudiosos no mundo todo.2–6

Desde o início da pandemia, foram publicados relatos de casos e/ou séries de casos apresentando experiências locais baseadas nas práticas preconizadas por cada país e na disponibilidade de recursos para realização de testes com o intuito de demonstrar a presença do Sars-CoV-2 em amostras de tecido maternas, como sangue materno, sangue de cordão, líquido amniótico, fragmentos de placenta, amostras de urina e/ou de fezes da gestante e do RN.2–6

A procura do coronavírus no RN foi feita por meio de amostras coletadas de swab de orofaringe/nasofaringe ou sorologia para identificação de imunoglobulina G (IgG) e/ou IgM. Os resultados são bastante heterogêneos e sugerem que a TV possa ocorrer em até 6% das gestações.2–6 Questões, como em qual trimestre da gestação é mais provável que ela ocorra e se há repercussões fetais e neonatais em longo prazo, ainda precisam ser mais bem esclarecidas.

Diante de tantas perguntas sem respostas para essa nova doença, discute-se que medidas devem ser garantidas para prevenir a infecção do RN no período periparto e pós-natal durante sua internação na UTIN e quais são as medidas necessárias para que não ocorra a disseminação do vírus dentro da unidade, no caso de RNs portadores do coronavírus.