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TRANSTORNO DEPRESSIVO PERSISTENTE: DISTIMIA E DEPRESSÃO MAIOR PERSISTENTE

LUCAS SPANEMBERG

KYUANA AZEREDO DE LIMA

epub-BR-PROPSIQ-C10V1_Artigo4

https://doi.org/10.5935/978-65-5848-007-5.C0003

  • Introdução

O termo distimia, tradicionalmente, refere-se a um transtorno depressivo crônico (com duração de pelo menos dois anos) e de gravidade mais leve do que a do transtorno depressivo maior (TDM), caracterizado por um limitado número de sintomas, mas responsável por considerável morbidade e carga de doença.1 A entidade foi formalizada em 1980, na terceira edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-III).2 A grande heterogeneidade da condição, suas características clínicas ligadas a aspectos temperamentais e a sobreposição a outros transtornos internalizantes trouxeram dúvidas sobre a validade desse diagnóstico.1,3

Mais recentemente, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – 5ª edição (DSM-5) cunhou o termo transtorno depressivo persistente (TDP), condição que engloba tanto o antigo conceito de distimia quanto quadros de depressão maior persistente (com duração de dois anos ou mais), modificando consideravelmente sua antiga definição.4 Essa modificação objetivou separar as apresentações crônicas e não crônicas dos transtornos depressivos, mas segue sendo foco de considerável controvérsia, heterogeneidade clínica e questionamentos quanto a sua validade.3 Assim, atualmente, o TDP incorpora quatro diferentes cenários clínicos:5

 

  • distimia pura;
  • TDM persistente;
  • episódios intermitentes de TDM, com TDM atual;
  • episódios intermitentes de TDM, sem TDM atual.

O TDP caracteriza-se pela presença de humor deprimido presente na maior parte do dia e que persiste quase todos os dias, pelo período mínimo de dois anos em adultos e um ano em crianças.4 Distingue-se do TDM não crônico no que diz respeito à durabilidade dos sintomas (dois anos ou mais), sendo um quadro de depressão crônica caracterizada por sintomas mais brandos, que costuma ter início precoce, antes dos 21 anos. Esse transtorno ainda é bastante subdiagnosticado, o que ocasiona impactos significativos na qualidade de vida, nas interações sociais e na produtividade do indivíduo.

Boa parte dos estudos epidemiológicos, das metanálises e das pesquisas de seguimento acerca das depressões persistentes foi baseada em critérios diagnósticos estabelecidos para a distimia. Assim, a mudança conceitual e a incorporação de diferentes condições sob o mesmo diagnóstico trazem desafios clínicos e de pesquisa importantes, com a necessidade de ponderar resultados à luz da complexidade do tema.

A cronicidade e a frequência de quadros crônicos resistentes ao tratamento fazem dos transtornos persistentes entidades clínicas mais graves do que as depressões não crônicas, com piores desfechos em nível populacional,6 relacionados com maior nível de comorbidades orgânicas e psiquiátricas, mais episódios depressivos, pior qualidade de vida, maior risco de contato com serviços de saúde e maior risco de limitação funcional.6,7

A etiopatogenia dos transtornos depressivos é multifatorial e complexa. Pesquisas demonstram que a depressão é resultado de pequenas alterações genéticas, que, quando expostas a fatores ambientais e em resposta ao estresse, sofrem mudanças na sua expressão gênica durante o desenvolvimento do cérebro.8 Achados relacionados a alterações estruturais e aumento ou redução da ativação neuronal em certas regiões cerebrais podem estar relacionados especificamente com o curso crônico da distimia.9

Este capítulo apresenta atualizações acerca do TDP, por meio da elucidação das mudanças propostas pelo DSM-5. Explora os variados perfis epidemiológicos ao redor do mundo e os modelos explicativos que buscam caracterizar a etiopatogenia dessa desordem. Também aborda as manifestações clínicas, o prognóstico e o curso da doença, realizando análise comparativa com transtorno depressivo não crônico. Por fim, discute as melhores terapêuticas farmacológicas e não farmacológicas apontadas em estudos recentes.

  • Objetivos

Ao final da leitura deste capítulo, o leitor será capaz de

 

  • diagnosticar adequadamente o TDP;
  • identificar aspectos associados com prevalência, etiopatogenia, curso e prognóstico do TDP;
  • indicar a melhor terapêutica, de maneira individualizada e focada no paciente com TDP;
  • reconhecer métodos de tratamento farmacológico e não farmacológico do TDP.
  • Esquema conceitual
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