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ABORDAGEM DA APATIA NO IDOSO

Autor: Elisa Franco de Assis Costa
epub-BR-PROGER-C8V2_Artigo

Objetivos

Ao final da leitura deste capítulo, o leitor será capaz de

 

  • descrever o conceito de apatia;
  • identificar as doenças que cursam com apatia;
  • descrever a prevalência da apatia;
  • identificar a fisiopatologia da apatia;
  • abordar o idoso com apatia do ponto de vista diagnóstico e terapêutico.

Esquema conceitual

Introdução

O termo “apatia” convencionalmente descreve uma falta de interesse ou emoção. Esse uso de apatia, embora intuitivo e comumente utilizado em descrições clínicas de pacientes com tais características, não aborda a definição médica de apatia ou o seu estado nosológico, que é mencionado como sintoma inespecífico de diversos distúrbios.1

O estado nosológico está principalmente associado a síndromes neurológicas, como doença de Alzheimer (DA), demência por corpos de Lewy (DCL), degeneração frontotemporal, doença de Parkinson (DP) e traumatismo craniencefálico; a síndromes psiquiátricas (depressão, esquizofrenia, outras psicoses); a distúrbios médicos (intoxicação ou abstinência de drogas); ou também pode ser uma síndrome em si.1

No artigo clássico de Marin,2 a apatia é definida como “a perda de motivação não atribuída a deficiência intelectual e diminuição do nível de consciência”. Ou seja, é uma construção multidimensional, definida como um agrupamento de sintomas comportamentais e emocionais que se manifestam como diminuição do interesse e envolvimento em atividades rotineiras, capacidade de resposta emocional diminuída, falta de iniciativa e de impulsos para concluir atividades não rotineiras, além da redução do afeto e de preocupação sobre si mesmo e os outros.2–4

A apatia era considerada um sintoma neuropsiquiátrico em diversas condições neurológicas e psiquiátricas se a falta de motivação fosse atribuível a deficiência intelectual, sofrimento emocional ou diminuição do nível de consciência. Essa definição proposta de apatia como uma síndrome ou um sintoma pressupunha a falta de motivação como uma característica primária de apresentação.

No entanto, usar como critério de definição apenas essa característica era problemático, porque “falta de motivação” é um estado psicológico correspondente ao estado comportamental, que pode ser vagamente chamado de apatia, e essa definição pode ser apenas redundância verbal.

Até o momento, não há um consenso claro sobre qual definição de apatia é apropriada e clinicamente fácil de operacionalizar. Essa falta de consenso está presente na 5ª versão do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), em que a apatia não é incluída no glossário e mencionada apenas como um sintoma inespecífico de vários transtornos.5

Na nova Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, a apatia aparece como sintomas ou sinais envolvendo humor ou afeto com o código MB24.4, sendo definida como redução ou falta de sentimento, emoção, interesse ou preocupação; um estado de indiferença. Aparece, também, como sintoma comportamental e psicológico nas demências, com o código próprio de 6D86.3, no qual, além dos sintomas cognitivos característicos da demência, o quadro clínico inclui indiferença clinicamente significativa ou falta de interesse.6

Na população saudável, a apatia pode ser conceituada como perda da motivação intrínseca, sendo denominada de “apatia comportamental”.7,8

Atualmente, vários autores reclassificam-na como uma síndrome caracterizada por três dimensões, sintomas cognitivos, afetivos e comportamentais, mas é subdiagnosticada com frequência e consequentemente mal manuseada.3,9 Está associada a pior qualidade de vida, hospitalizações mais longas, pior resposta à reabilitação, além de sobrecarga do cuidador.4,8,10

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