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DIROFILARIOSE EM CÃES E GATOS

Autor: Alessandra Lucena
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Objetivos

Ao final da leitura deste capítulo, o leitor será capaz de

  • reconhecer a epidemiologia e a etiologia da dirofilariose a fim de aprimorar as tomadas de decisão como profissionais da saúde;
  • identificar os sinais clínicos da doença em cães e gatos, assim como seus mecanismos fisiopatológicos;
  • estabelecer um prognóstico adequado diante da evolução do quadro clínico da dirofilariose;
  • diagnosticar a hemoparasitose de forma precisa, interpretando corretamente os resultados de exames e testes rápidos;
  • propor um protocolo eficiente de tratamento respeitando as necessidades de cada paciente, considerando eventuais comorbidades e complicações da dirofilariose.

Esquema conceitual

Introdução

A Dirofilaria immitis é um hemoparasita nematódeo transmitido de modo vetorial por mosquitos da família Culicidae, entre eles os gêneros Aedes, Culex e Ochlerotatus, em geral encontrados nas áreas urbanas brasileiras. Popularmente chamado de verme do coração, tem os cães como principais reservatórios e hospedeiros definitivos, porém a infecção em felinos tem sido reportada com frequência na última década.1

A prevalência da dirofilariose, no Brasil, chega a até 23,1% em determinadas áreas, tornando-se a principal doença cardiopulmonar de transmissão vetorial no país.2

Em animais de companhia, a dirofilariose caracteriza-se por lesões no endotélio vascular e obstruções causadas pelo parasita adulto,3 sendo encontrado principalmente na artéria pulmonar direita (APDartéria pulmonar direita), causando desde queda da imunidade, tromboembolismo e broncopatia inflamatória, até quadro de hipertensão pulmonar (HPhipertensão pulmonar) e insuficiência cardíaca congestiva direita (ICCdinsuficiência cardíaca congestiva direita).

A primeira descrição da doença em cães foi publicada em 1847, nos Estados Unidos, pelo físico Osborne, no periódico The Western Journal of Medicine and Surgery. Já os primeiros relatos em gatos foram descritos por Travassos, em 1921, no periódico Brasil-Medical.3 Reconhecida como uma zoonose pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1979,3 caracteriza os humanos como hospedeiros acidentais em áreas endêmicas, podendo causar nódulos nos pulmões que muitas vezes são confundidos com tumores em exames de imagem devido à presença da forma imatura do parasita, a qual se torna encapsulada nos ramos das artérias pulmonares.4

A literatura sugere que mais estudos são necessários para melhor caracterizar filárias circulantes entre humanos e cães em toda a América, sugerindo que a infecção em humanos é subestimada devido à falta de diagnóstico preciso e à ausência de sintomas.5 Visto que a dirofilariose é uma zoonose endêmica no país, faz-se importante a ação da saúde única e da capacitação de médicos veterinários na profilaxia e no combate à doença.

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