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RECURSOS PARA AVALIAÇÃO DA EFETIVIDADE DA OXIGENOTERAPIA EM UNIDADES DE TERAPIA INTENSIVA

Marden Junio Sousa Ferreira

Robert Douglas Costa de Melo

Thiago Augusto Sobral Mangueira

Walter de Aquino Vieira Filho

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Objetivos

Ao final da leitura deste capítulo, o leitor será capaz de

  • classificar os tipos de insuficiência respiratória (IR) e definir a necessidade de suporte de oxigênio suplementar;
  • descrever as características da fisiopatologia respiratória;
  • identificar e diferenciar os dispositivos de oxigenoterapia mais comuns na prática clínica;
  • avaliar a efetividade da oxigenoterapia em unidades de terapia intensiva (UTIs);
  • explicar os efeitos deletérios da oxigenoterapia nos sistemas orgânicos.

Esquema conceitual

Introdução

A oxigenoterapia é um recurso que busca ajustar a oxigenação sistêmica com o intuito de reverter situações deletérias momentâneas ou permanentes da hipoxia tecidual, seja ela causada por doenças pulmonares agudas ou crônicas, traumas, condições intraoperatórias e situações de instabilidade hemodinâmica com baixo débito cardíaco.1

Nesse sentido, a oxigenoterapia tem como base a oferta de oxigênio supra-atmosférico, ou seja, oferece oxigênio em concentrações superiores à quantidade do gás ambiente (21%), por meio de dispositivos com variabilidade de indicações e desempenho (fixo ou variável).2

Entende-se como dispositivos com desempenho fixo ou de alto fluxo aqueles que acompanham a demanda de fluxo inspiratório do paciente, entregando vazões elevadas, não modificando a fração inspirada de oxigênio (FiO2) fornecida. Entre tais dispositivos, estão a máscara de Venturi e o cateter nasal de alto fluxo.3,4

Já os dispositivos de desempenho variável ou de baixo fluxo arrastam gás do meio, diluindo a FiO2,3 e podem ser usados em casos de IR aguda ou crônica. Cateter nasal tipo óculos, máscara de macronebulização e dispositivos com reservatórios são alguns exemplos. 3

Não se deve confundir demanda ou fluxo com a FiO2 ofertada pelos dispositivos. Um exemplo desse contexto é a máscara de Venturi, considerada de alto fluxo por causa do seu arrasto. Contudo, a FiO2 pode ser menor quando comparada a uma máscara de reservatório em condições nas quais o indivíduo esteja com demanda baixa.

Apesar da oxigenoterapia entregar efeitos satisfatórios em condições hipoxêmicas, seu uso amplo transpassa para pacientes normóxicos — pressão parcial de oxigênio no sangue arterial (PaO2) entre 80 e 100mmHg. Isso pode resultar em efeitos deletérios, como alterações da vasorreatividade cerebral, vasoconstrição coronária e produção excessiva de espécies reativas de oxigênio (EROs).5

Embora se esperasse que a oxigenoterapia baseada em protocolos fosse benéfica em algumas doenças isquêmicas, como infarto agudo do miocárdio ou doenças cerebrovasculares, recentes ensaios clínicos randomizados apontaram ausência de melhora clínica.4

Percebendo a existência dos diversos dispositivos, a necessidade de oxigenoterapia e os efeitos deletérios da suplementação de oxigênio, é importante conhecer e saber utilizar o mais indicado método de avaliação da efetividade desse gás na prática clínica. Entre eles, destacam-se:

  • PaO2;
  • saturação periférica de oxigênio (SpO2);
  • saturação arterial de oxigênio (SaO2)
  • conteúdo arterial de oxigênio (CaO2);
  • relação PaO2/FiO2;
  • gradiente alvéolo-arterial de oxigênio [G(A-a)O2];
  • relação artério-alveolar (a/A);
  • índice respiratório;
  • índice de Rox (ROX Index).

Dessa forma, este capítulo visa oferecer uma gama de possibilidades para a avaliação à beira do leito dos recursos que podem quantificar a efetividade da oxigenoterapia no ambiente de UTI.