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ATENDIMENTO E SUPERVISÃO PSICOTERÁPICA ON-LINE

ANGÉLICA PRAZERES LOPES

CAMILA MARTINY-COSTA

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Objetivos

Ao final da leitura deste capítulo, o leitor será capaz de

  • sintetizar o atual panorama geral da psicoterapia e da supervisão on-line;
  • atualizar-se sobre as questões legais e éticas da psicoterapia on-line no Brasil;
  • distinguir os aspectos relevantes da prática on-line do psicólogo;
  • descrever as modalidades e as particularidades da psicoterapia on-line;
  • analisar as diretrizes que podem auxiliar o psicólogo a tomar decisões na sua prática clínica on-line.

Esquema conceitual

Introdução

O crescente avanço da tecnologia e a prestação de serviços psicológicos realizada por meio de Tecnologia da Informação e da Comunicação (TIC), recentemente regulamentada pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP), trazem novas oportunidades, considerações e desafios únicos para a prática do profissional de psicologia no atendimento e na supervisão psicoterápica. Com o aumento do número de psicólogos que se utilizam da tecnologia em suas práticas, faz-se necessária a elaboração de diretrizes para educar e informar a prática desse profissional e estimular o debate e a pesquisa sobre o tema.

Terapia on-line, terapia virtual, teleterapia ou e-terapia são alguns dos termos utilizados para nomear a prestação de serviços psicológicos realizada por meio das TICs.1

A expressão “tecnologia da informação e da comunicação” foi utilizada, pela primeira vez, em 1997 pelo governo britânico.2 É a mais comum para se referir a todas as ferramentas utilizadas na reprodução, no processamento e na distribuição de informação para pessoas e instituições por meios tecnológicos digitais.3 Esses meios incluem todas as mediações informacionais e comunicativas com acesso à internet, além de televisão, aparelhos telefônicos, computador, tablet, smartphone, websites, aplicativos, plataformas digitais e outros.

Os psicólogos usam a internet para realizar o atendimento psicoterápico a distância; esse processo pode ocorrer por meio da comunicação síncrona ou assíncrona.

A comunicação síncrona ou simultânea é a modalidade de psicoterapia em que o psicólogo e o paciente, como no atendimento presencial, estão disponíveis ao mesmo tempo para realização da sessão.

A comunicação síncrona se dá em um espaço remoto, mediado por TICs (por exemplo, uma videoconferência realizada em softwares desenvolvidos para realização de chamadas de vídeo para uso geral) ou por ferramentas específicas para consulta em telessaúde (por exemplo, Zoom para saúde ou Google Workspace para o setor de saúde).

A comunicação assíncrona é uma modalidade de psicoterapia em que a comunicação entre o psicólogo e o paciente não se estabelece no mesmo espaço e ao mesmo tempo.

São exemplos de comunicação assíncrona a troca de mensagens via e-mails, aplicativos multiplataforma de mensagens instantâneas de texto e voz e chamadas de voz para smartphones por meio de conexão com a internet). Algumas dessas ferramentas foram desenvolvidas, especificamente, visando à psicoterapia, como, por exemplo, OrienteMe, Talkspace e BetterHelp.

Existe uma diferença entre a psicoterapia on-line, que se refere à terapia realizada com o uso de e-mail, chat ou videoconferência, e as chamadas intervenções com base na internet, que são programas ou aplicativos de terapia, que fazem ou não parte da psicoterapia, como realidade virtual, psicoeducação, mindfulness (para celular), automonitoramento, registros de pensamentos e programas que oferecem tarefas fundamentadas em protocolos de tratamento.4

É concedido ao psicólogo decidir a respeito da adequação do atendimento psicoterápico on-line aos diferentes públicos, inclusive às crianças. Contudo, assim como no atendimento presencial, é necessária a permissão de, pelo menos, um dos pais da criança para que o atendimento seja realizado.

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