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CRIATIVIDADE, INOVAÇÃO E INTRAEMPREENDEDORISMO: UMA NECESSIDADE PARA A ENFERMAGEM EM UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA

Autor: Bruna Nadaletti de Araújo
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Objetivos

Ao final da leitura deste capítulo, o leitor será capaz de

 

  • conceituar empreendedorismo e intraempreendedorismo na saúde;
  • analisar a competência inovadora de profissionais da enfermagem;
  • fomentar uma atuação qualificada e segura para acompanhar as mudanças do cenário atual;
  • promover a inovação na prática cotidiana do enfermeiro intensivista;
  • utilizar o design thinking (DT) em serviços de saúde e unidades de terapia intensiva (UTIs);
  • contribuir para a consolidação da cultura do intraempreendedorismo e da inovação na enfermagem.

Esquema conceitual

Introdução

A inovação tem sido amplamente abordada como uma ferramenta importante para a modernização e o crescimento sustentável das organizações nos mais diversos setores de atuação. Na área da saúde e da enfermagem, é uma necessidade cada vez mais evidente, por isso são fundamentais investimentos em novas metodologias e tecnologias que induzam ao desenvolvimento e preparo do profissional para atuação mais qualificada e coerente com as reais necessidades dos stakeholders (partes interessadas).

Este capítulo destina um momento exclusivamente para abordagem da inovação a partir de aspectos conceituais. A inovação pode ser definida como o processo pelo qual pessoas e organizações utilizam suas capacidades e seus recursos para desenvolver novos produtos, serviços, sistemas, formas de trabalho e tecnologias para melhor atender às demandas de seus clientes. Também pode ser uma qualificação daquilo que já existe, em que melhorias são postas em prática.1

Na dinâmica da inovação nos serviços de saúde, destaca-se o papel da UTI, visto que é um cenário altamente complexo em suas diversas interfaces:2

 

  • atividades desenvolvidas;
  • materiais e equipamentos utilizados;
  • condição clínica dos pacientes assistidos;
  • preparo e desenvolvimento dos profissionais.

Outro aspecto importante e que ajuda a reforçar a necessidade de inovação na UTI é o alto custo financeiro para o funcionamento do setor. Isso impõe um grande desafio para as instituições hospitalares, principalmente no que concerne ao crescimento econômico e à rentabilidade.2 Entretanto, a prática da inovação tem se apresentado como um grande desafio para muitos serviços de saúde, o que se justifica por inúmeros motivos, como:

 

  • transformações rápidas e mudanças constantes;
  • ausência de cultura para inovação consolidada;
  • visão estratégica pautada nos modelos tradicionais de gestão;
  • falta de alinhamento entre os valores da organização e dos colaboradores;
  • orçamento limitado.

Neste capítulo, será problematizado o despreparo dos profissionais (e seus motivos) como o principal agente limitante das práticas inovadoras em saúde, além de explorada a adoção de estratégias indutoras da inovação na prática cotidiana dos serviços de saúde, em especial no contexto da UTI. Nesse paradigma, serão alocados o empreendedorismo e o intraempreendedorismo como tais estratégias.

Desde o século XIX, o empreendedorismo tem ganhado evidência na enfermagem, ilustrado pela atuação pioneira de Florence Nightingale no cuidado aos soldados durante a Guerra da Criméia, bem como pela fundação da Escola de Enfermagem no Hospital Saint Thomas, que estabeleceu as bases científicas da profissão. Além disso, outras figuras empreendedoras notáveis na enfermagem incluem Anna Nery, que cuidou dos feridos na Guerra do Paraguai, e Wanda de Aguiar Horta, a primeira teórica brasileira da profissão.3

Atualmente, o empreendedorismo na área da enfermagem é fundamental para aumentar a visibilidade e a consolidação da profissão como ciência, tecnologia e inovação em uma ampla variedade de cenários e campos de atuação. Ele oportuniza aos profissionais novos patamares de desenvolvimento profissional.4

Assim, é essencial explorar a possibilidade de inovação por meio do empreendedorismo e intraempreendedorismo nos serviços de saúde e enfermagem, com vistas a desconstruir paradigmas ainda existentes sobre inovação, clarear conceitos e oportunidades na prática cotidiana do cenário da saúde e da UTI. Além disso, busca-se consolidar a atuação do enfermeiro intensivista de acordo com as reais necessidades da sociedade e do cenário da saúde como um todo, contribuindo para a evolução do ecossistema de inovação.4

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