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INFIDELIDADE, VIOLÊNCIA CONJUGAL E TRATAMENTO: O QUE HÁ DE NOVO?

Mara Lins

Maria Amélia Penido

Sabrina Mazo D’affonseca

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Objetivos

Ao final da leitura deste capítulo, o leitor será capaz de

  • definir infidelidade e os impactos da internet nesse comportamento;
  • resumir a literatura das pesquisas recentes sobre infidelidade digital;
  • descrever estratégias de prevenção e tratamento para casos de infidelidade;
  • identificar aspectos relacionados à violência entre parceiros íntimos;
  • distinguir as consequências da violência por parceiros íntimos;
  • descrever possibilidades de intervenção individual com mulheres vítimas de violência por parceiro íntimo;
  • memorizar as principais características de uma abordagem terapêutica conjugal com base nas Terapias Comportamentais Contextuais;
  • identificar quando há, ou não, indicação para terapia de casal nos casos de agressão entre os parceiros;
  • verificar os principais objetivos de uma terapia de casal quando há infidelidade.

Esquema conceitual

Introdução

O presente capítulo aborda questões contemporâneas específicas referentes ao relacionamento conjugal, tais como a inserção do mundo digital e suas repercussões em torno de temas como infidelidade, propõe novas ferramentas para abordar o tema de violência por parceiros íntimos e como a terapia de casal, que tem como base teórica as terapias comportamentais contextuais (Integrative Behavioral Couple Therapy [IBCT]), organiza uma intervenção terapêutica diante dessas questões.

Grande parte da vida social e amorosa de homens e mulheres, atualmente, acontece on-line, e isso levanta questões sobre as diferenças e as semelhanças entre os relacionamentos on-line e off-line. O mundo digital chegou para ficar e impactou também os relacionamentos amorosos; dessa forma, o ambiente virtual, além de impactar na própria definição do que pode ser considerado infidelidade, traz também dúvidas sobre qual o limite do uso das redes sociais nos relacionamentos amorosos, atuando, igualmente, como pivô de ciúmes e desgaste nas relações.

O acesso a novas formas de comunicação, com a ampliação das possibilidades para conhecer pessoas e estabelecer contato íntimo, traz novos desafios aos casais. Desde a possibilidade de maior controle do parceiro, até novas ferramentas para ter relacionamentos extraconjugais. A melhor estratégia parece ser manter um diálogo aberto com o parceiro e conversar sobre como integrar a vida digital no relacionamento, respeitando os limites de cada um.

A violência por parceiros íntimos (VPI) consiste em um problema de saúde pública e de violação dos direitos humanos, atingindo, em sua maioria, mulheres. Uma das formas de enfrentamento desse fenômeno consiste na intervenção com aqueles envolvidos nesse contexto para, por um lado, minimizar o impacto do abuso sofrido na saúde física, social e emocional, e, por outro, fortalecê-la, para que consiga interromper o ciclo de violência vivenciado em seu relacionamento. Descreve-se como a psicoeducação sobre VPI e uma intervenção focada em mindfulness são ferramentas relevantes para intervenção.

No que se refere à terapia de casal, a Terapia Comportamental Integrativa de Casal tem um protocolo específico, principalmente nas sessões iniciais, sendo um momento para avaliação e formulação do caso. Nessa etapa, existe a possibilidade de verificar se há, ou não, VPI, e iniciar os encaminhamentos necessários e uma proposta específica de intervenção. No que se refere à infidelidade, mesmo sendo virtual, essa abordagem propõe um trabalho voltado à quebra do contrato pré-existente entre o casal, mesmo diante do mundo virtual, bem como um resgate da confiança, diante da compreensão de que a relação estava adoecida.

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