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JORNADA CIRÚRGICA DO PACIENTE IDOSO

Thiago José Martins Gonçalves

epub-PROACI-C17V4_Artigo3

Objetivos

Ao final da leitura deste capítulo, o leitor será capaz de

  • identificar os aspectos clínicos e metabólicos da desnutrição do paciente idoso submetido à cirurgia e a resposta metabólica ao trauma, bem como o impacto da perda da massa magra nos resultados pós-operatórios;
  • aplicar a avaliação geriátrica ampla (AGAavaliação geriátrica ampla) e funcional ao idoso, para diagnosticar a síndrome da fragilidade e sarcopenia, que podem resultar em piores desfechos cirúrgicos;
  • indicar suporte nutricional perioperatório por suplementação oral ou nutrição enteral e/ou parenteral, incluindo nutrientes específicos imunomoduladores e abreviação do jejum pré-operatório;
  • escolher entre as principais possibilidades de intervenção clínica e nutricional em idosos no pré e pós-operatórios com o objetivo de melhorar os resultados cirúrgicos e a qualidade de vida do paciente.

Esquema conceitual

Introdução

O aumento acelerado e exponencial da população idosa mundial, acompanhado da crescente prevalência de doenças crônicas associadas ao envelhecimento, tem causado profundas implicações para o sistema de saúde nas últimas décadas. Até 2050, todas as regiões do mundo, exceto a África, terão quase um quarto de suas populações nessa faixa etária. No Brasil, 15% da população relativa correspondem a pessoas com mais de 60 anos, e esse índice deve chegar a 30% em 2050.1

A população idosa é heterogênea e apresenta necessidades de cuidados individualizados. Diversas são as modificações no organismo que envelhece, e elas devem ser conhecidas, para que se diferenciem os padrões normais do envelhecimento (senescência) daqueles associados ao envelhecimento patológico (senilidade), os quais podem desencadear maior fragilidade, morbidade e mortalidade.2

A medicina perioperatória visa fornecer cuidados pré-operatórios, intraoperatórios e pós-operatórios para todos os pacientes, mas com foco particular naqueles com alto risco de resultados pós-operatórios adversos. O grupo de alto risco é definido como pacientes cirúrgicos com uma taxa de mortalidade agregada de 90 dias maior do que 5%. Esses pacientes de alto risco são predominantemente aqueles com alterações fisiológicas relacionadas à idade, acúmulo de multimorbidades e síndromes geriátricas, incluindo fragilidade.2,3

A síndrome da fragilidade é definida como uma diminuição na reserva fisiológica em vários órgãos e sistemas, levando a um aumento da vulnerabilidade a estressores externos. Estudos em subespecialidades cirúrgicas, ambientes de emergência e eletivos identificaram a fragilidade como um preditor independente de pós-operatório complicado.3

Embora não seja específica de idosos, a fragilidade está associada ao envelhecimento e, portanto, tem recebido maior atenção na população cirúrgica idosa. Identificar a fragilidade no início da jornada cirúrgica oferece uma oportunidade de avaliar o risco, modificar a síndrome, informar a tomada de decisão compartilhada e planejar a via cirúrgica.4,5

Defende-se uma abordagem pragmática, com a utilização de ferramentas para filtragem e diagnóstico de fragilidade em idosos cirúrgicos, a fim de se adaptar esses pacientes ao procedimento cirúrgico, com vistas a melhor jornada, de acordo com as suas necessidades, usando uma metodologia multicomponente e com ampla avaliação geriátrica.

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