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A TELECONSULTA COMO FERRAMENTA ESTRATÉGICA PARA GERENCIAMENTO DE CASOS

Aline de Paula

Gustavo Selenko de Aquino

Robson Giovani Paes

Lucas Moura Araújo

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Objetivos

Ao fim deste capítulo, o leitor será capaz de

 

  • explicar o uso da telessaúde por meio da teleconsulta;
  • descrever as estratégias de uso da gestão de caso nos mais variados tipos de usuários da Atenção Primária à Saúde (APS);
  • apresentar como é realizado o seguimento de cuidados pelos profissionais de saúde;
  • refletir sobre a incorporação das tecnologias nos serviços de saúde e como o telemonitoramento tem assessorado os pacientes nos cuidados de saúde;
  • interpretar as etapas da gestão de caso;
  • avaliar a importância da gestão de caso na assistência aos pacientes com condições complexas.

Esquema conceitual

Introdução

A coordenação do cuidado é um elemento fundamental da APS e envolve elementos de integração verticais e horizontais (definição mais conhecida e adotada em nosso país).1 A integração horizontal diz respeito aos serviços e ações dentro de um mesmo nível de atenção, enquanto a vertical se refere entre os diferentes níveis.2,3

A coordenação do cuidado efetiva está relacionada à melhor qualidade de serviços, otimiza o acesso e integra as ações no sistema de saúde.1 Isso ocorre uma vez que a fragmentação do cuidado ao usuário dentro do sistema — processo ligado a questões sociodemográficas e dificuldades no acesso à saúde —4,5 termina por aumentar as iniquidades, sobretudo os pacientes que necessitam de cuidados entre os diferentes níveis de atenção.6–9

Em março de 2020, a crise na saúde provocada pela disseminação do SARS-CoV-2 levou a Organização Mundial de Saúde a declarar estado de pandemia.10 A ação de coordenação da APS mostrou-se vital pelo seu caráter interprofissional.11 Nesse contexto pandêmico, a aliança entre a coordenação do cuidado e o uso de tecnologias baseada em saúde digital, promovendo cuidado híbrido, mostrou-se essencial.

O caráter de alta transmissibilidade do vírus, junto com a necessidade de limitar a busca aos serviços de saúde no início da pandemia, colocaram os serviços de teleatendimento em papel de destaque, na medida em que foi surgindo a necessidade de manter o isolamento social. A teleatendimento garantiu informações adequadas sobre cuidados individuais,12 além de monitorar os casos ativos, como visto em diversos sistemas de saúde públicos e privados pelo país.

A necessidade imperativa da prática de teleatendimento no cenário pandêmico levou não apenas à regulamentação da prática perante o Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) e o Conselho Federal de Medicina (CFM), como também reforçou seu potencial como ferramenta para aumentar a abrangência da APS, à medida que traz novas formas de acesso aos usuários, redução de filas e sobrecarga de atendimentos em diferentes níveis de atenção, facilitando o fluxo das pessoas dentro do sistema de saúde.13,14