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AVALIAÇÃO ENDOSCÓPICA PRÉ-CIRURGIA BARIÁTRICA E ANATOMIA CIRÚRGICA

Giorgio A. P. Baretta

Marco Antonio Gimenez Lopes

Victor Mussa Dib

Jimi Izaques Bifi Scarparo

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Objetivos

Ao final da leitura deste capítulo, o leitor será capaz de

 

  • reconhecer o crescimento da obesidade a níveis alarmantes em todo o mundo;
  • reconhecer a cirurgia bariátrica como o método mais efetivo e duradouro de combate à obesidade mórbida;
  • identificar alterações endoscópicas capazes de alterar a técnica cirúrgica proposta;
  • identificar alterações endoscópicas e patologias capazes de contraindicar a cirurgia bariátrica;
  • reconhecer os principais achados endoscópicos-chave das principais técnicas cirúrgicas bariátricas;
  • reconhecer o endoscopista como peça fundamental em toda equipe de cirurgia bariátrica.

Esquema conceitual

Introdução

A obesidade tem se tornado um dos principais problemas de saúde em todo o mundo, afetando um número cada vez maior de países por sua prevalência, custos e efeitos na saúde das populações.1–4 Ela está relacionada com grande número de comorbidades associadas,5 tais como, entre outras:4,6

 

  • diabetes tipo II;
  • doenças cardiovasculares;
  • doença do refluxo gastresofágico (DRGE);
  • vários tipos de canceres;
  • hipertensão arterial;
  • dislipidemia;
  • apneia do sono;
  • doenças articulares;
  • infertilidade;
  • colelitíase.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2017, mais de 4 milhões de pessoas morreram em decorrência da obesidade,7 e estima-se que, em 2030, aproximadamente 60% da população mundial será afetada pela obesidade.8

Nos EUA, de 1999 a 2018, a prevalência de obesidade passou de 30,5 para 42,4%, e a obesidade grave de 4,7 para 9,2%.1 No Brasil, segundo dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), os índices de obesidade cresceram de 16,48 para 31,88% entre os anos de 2010 e 2022.9

Entre as opções de tratamento, a cirurgia bariátrica provou ser a mais efetiva contra a obesidade mórbida,3,10 tanto a curto prazo como na manutenção a longo prazo da perda de peso,4 com melhora ou resolução das doenças associadas e também da qualidade de vida dos pacientes e da mortalidade global.1

O número de cirurgias bariátricas vem crescendo a cada ano em todo o mundo. Segundo dados da International Federation for Surgery of Obesity and Metabolic Disorders (IFSO), foram realizados 480.970 procedimentos no ano de 2022 ao redor do mundo.11 No Brasil, essa tendência também se confirma. Em 2011, foram registrados 34.629 procedimentos. Em 2022, esse número ultrapassou a marca de 74 mil cirurgias.9 Em virtude disso, o endoscopista é peça fundamental em toda equipe multidisciplinar de cirurgia bariátrica e deve obrigatoriamente ter conhecimento anatômico e endoscópico das mais diversas técnicas cirúrgicas para o tratamento da obesidade, bem como dispor de vasto arsenal terapêutico para auxiliar no tratamento das complicações pós-operatórias.