Entrar

Esse conteúdo é exclusivo para assinantes do programa.

VIAS DE CARCINOGÊNESE DAS LESÕES COLORRETAIS

Roseane Valéria Bicalho Ferreira Assis

Luciano Andrey Ferreira Bicalho

epub-BR-PROENDOGASTRO-C1V2_Artigo4

Objetivos

Ao final da leitura deste capítulo, o leitor será capaz de

 

  • identificar fatores e condições carcinogênicas colorretais;
  • identificar as vias da carcinogênese colorretal;
  • reconhecer a evolução das lesões neoplásicas precursoras para o câncer colorretal (CCR);
  • indicar os métodos adequados para diagnóstico, seguimento e tratamento das lesões colorretais.

Esquema conceitual

Introdução

O CCR é o terceiro em incidência entre todos os tipos de câncer e o segundo em mortalidade no mundo. No Brasil, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA) 2023–2025, é o segundo mais incidente e o terceiro em mortalidade, com aumento progressivo, principalmente em jovens.

A carcinogênese colorretal é multifatorial. Cerca de 70% dos casos são de origem esporádica, 20 a 25% ocorrem por agregação familial, ambos por meio de mutações somáticas (epigenéticas) cumulativas, de forma interconectiva, e cerca de 5% são originados de síndromes hereditárias de linhagem germinativa patogênica, em sua maioria, de transmissão autossômica dominante, com alta penetrância.1–3

A síndrome de Lynch (SL) é a mais comum síndrome hereditária de CCR e representa 3 a 5% de todos os casos, seguida pelas poliposes adenomatosas, como polipose adenomatosa familiar (PAF) clássica ou atenuada (menos de 1% dos casos), síndrome associada ao gene MUTYH (polipose associada ao MUTYH [MAP]) e outras poliposes adenomatosas menos comuns e ainda não bem caracterizadas (associadas aos genes POLE, POLD-1 e outras). Também são citadas as síndromes de polipose hamartomatosa (Peutz-Jeghers — gene STK11), a polipose juvenil (gene SMAD4/BMPR1A), a síndrome de Cowden e a síndrome de Bannayan-Riley-Ruvalcaba (gene PTEN), além da síndrome de polipose serrilhada, uma das mais frequentes, mas pouco reconhecida.1–3 As síndromes poliposas serão descritas em outro capítulo deste volume.

O CCR é derivado de lesões neoplásicas epiteliais precursoras, representadas predominantemente pelo adenoma tubular e pelas lesões neoplásicas serrilhadas, que se desenvolvem a partir de mecanismos biomoleculares, em sua maioria, com lenta evolução para malignidade, o que permite detectar e remover essas lesões antes da evolução para o câncer ou determinar o diagnóstico em fase precoce.1–4

A atenção ao atendimento inicial do paciente para as correlações genótipo–fenótipo e ao histórico familar do CCR e de cânceres correlacionados, no contexto da hereditariedade ou da agregação familial, é essencial para a identificação dos genes causadores e dos subtipos moleculares, direcionando para um seguimento e tratamento personalizados do paciente e de seus familiares.1–4

Neste capítulo, são descritas as principais vias de carcinogênese do CCR e sua aplicação na prática clínica:1–3

 

  • via de instabilidade cromossômica (CIN, do inglês, chromosomal instability): representa mais de 70% dos casos, por meio da sequência adenoma–carcinoma, com CCR com estabilidade microssatélite (em inglês, microsatellite stability [MSS]);
  • via de instabilidade microssatélite (MSI, do inglês, microsatellite instability): é representada pelo adenoma acelerado na SL;
  • via serrilhada ou fenótipo de metilação das ilhas CpG (CIMP) (citosina-phosfato-guanina island methylator phenotype): está relacionada ao CCR esporádico com MSI, que representa 15 a 25% dos casos, derivados, em sua maioria, das lesões neoplásicas serrilhadas.