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CLASSIFICAÇÃO INTERNACIONAL PARA A PRÁTICA DE ENFERMAGEM: TECNOLOGIA PARA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE

MARCIA REGINA CUBAS

FERNANDA BROERING GOMES TORRES

DEBORAH RIBEIRO CARVALHO

CLÁUDIA MARIA CABRAL MORO BARRA

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Introdução

A Atenção Primária à Saúde (APS) se caracteriza por um conjunto integrado e articulado de atividades e ações que visam a promover atenção integral à saúde para uma população que vive em um território definido. Seu desenvolvimento inclui cuidados assistenciais e gerenciais, que são exercidos por meio do trabalho em equipe e de forma interdisciplinar e intersetorial. No Brasil, a APS é uma estratégia governamental para organizar os serviços de forma regionalizada, contínua e sistematizada, integrando ações preventivas e curativas.1

A equipe de enfermagem, como integrante da equipe que exerce trabalho na APS, desempenha atividades de distintas complexidades para responder às necessidades em saúde identificadas nas pessoas, nas famílias e nas comunidades de um território adscrito. Dentro das tecnologias capazes de auxiliar no processo de identificação das necessidades e, consequentemente, registrá-las adequadamente, estão as terminologias padronizadas.

Com o uso dessas terminologias, na área da Enfermagem, é possível descrever os fenômenos que são foco da atenção da profissão na prática clínica assistencial direcionada ao indivíduo, à família ou à comunidade. Para que sejam utilizadas em ambiente de cuidado, essas terminologias devem atender critérios como validade e especificidade de seus termos, capacidade para recuperação dos dados e facilidade de comunicação entre os membros da equipe de saúde e de outras profissões, como as inerentes às tecnologias de informação.2

Internacionalmente, a American Nurse Association reconhece algumas terminologias que sustentam as práticas de enfermagem, entre elas, a Nanda International (NANDA-I)3, a Omaha Nursing Classification System for Community Health (OMAHA)4 e a Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem (CIPE®).5

A CIPE® é uma terminologia combinatória, desenvolvida em uma linguagem ontológica (em inglês, web ontology language [OWL]), que é reconhecida como uma tecnologia de informação por permitir coletar, nominar e documentar os elementos estruturantes da prática de enfermagem — isto é, diagnósticos, resultados e intervenções de enfermagem.5 O agrupamento desses elementos para o atendimento direcionado a determinadas especialidades e/ou situações de saúde é denominado “subconjunto terminológico”.6

Entre os subconjuntos acreditados pelo Conselho Internacional de Enfermeira(o)s (em inglês, International Council of Nurses [ICN]), encontra-se o intitulado Enfermagem Comunitária,7 que contém elementos capazes de sustentar parte das práticas de enfermagem na APS. Por sua vez, pesquisadores brasileiros de vários programas de pós-graduação construíram propostas de diversos subconjuntos para a APS8 direcionados às situações enfrentadas pela equipe de enfermagem nos espaços extra-hospitalares. Nesses espaços, o processo de enfermagem é denominado “consulta de enfermagem”,9 sendo considerado um instrumento tecnológico, pois além de se tratar de um elemento estruturante da profissão, é uma forma de registro das ações de enfermagem nos sistemas de informação.

A interdisciplinaridade é uma característica do trabalho na APS que requer comunicação segura e eficiente entre os diferentes profissionais que integram os serviços. Assim, é fundamental a utilização de uma tecnologia de informação como a CIPE® para documentar parte das etapas da consulta de enfermagem. Este capítulo busca apresentar esse instrumento, a ser utilizado na identificação de necessidades e no registro dos fenômenos de enfermagem.

Objetivos

Ao final da leitura deste capítulo, o leitor será capaz de

 

  • reconhecer a estrutura da CIPE® como uma tecnologia de registro das ações de enfermagem;
  • acessar à CIPE® pela web;
  • identificar as potencialidades do uso de subconjuntos terminológicos da CIPE® para a documentação dos elementos da prática de enfermagem durante a consulta na APS.

Esquema conceitual

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