Entrar

Conceitualização cognitiva: desafios e novas perspectivas

Angela Donato Oliva

epub-PROCOGNITIVA-C10V3_Artigo

Objetivos

Ao final da leitura deste capítulo, o leitor será capaz de

  • refletir sobre a prática clínica referente à conceitualização cognitiva;
  • inferir que a conceitualização é útil para guiar a terapia e, ao mesmo tempo, demanda bom conhecimento do modelo teórico utilizado e dos resultados de pesquisas empíricas;
  • apreender vieses e habilidades inerentes à relação que o terapeuta estabelece com o cliente;
  • considerar a mudança de foco da conceitualização que parte de uma hipótese diagnóstica e passa a incluir fatores positivos, forças do cliente e protocolos unificados.

Esquema conceitual

Introdução

Duas das metas do processo terapêutico na abordagem da terapia cognitivo-comportamental (TCC) são (a) buscar entender o que faz o cliente sofrer e procurar ajuda profissional e (b) agir de modo a atenuar sua dor. A definição de “conceitualizar”, em linhas gerais, é compreender o caso, procedimento que o terapeuta vai utilizar o tempo todo em sua prática clínica, embora nem sempre ele perceba isso tão explicitamente.

A expressão “conceitualização cognitiva” é abrangente e inclui, na perspectiva cognitivo-comportamental, componentes emocionais e comportamentais claramente contextualizados. Abordagens teóricas são as ferramentas utilizadas pelos terapeutas para esboçar a primeira compreensão do caso, e, para fazer uma boa conceitualização em TCC, é preciso ter em mente o modelo cognitivo do funcionamento mental.

De acordo com a hipótese explicativa da abordagem cognitivo-comportamental, que se baseia em uma visão evolucionista, a arquitetura mental humana, em seus aspectos gerais de funcionamento, deriva da herança filogenética.

A abordagem cognitivo-comportamental postula que alguns traços que, possivelmente, permitiram a sobrevivência e a reprodução dos ancestrais caçadores e coletores foram selecionados e passaram a fazer parte da arquitetura da espécie humana atual. Isso gera consequências identificáveis em padrões e tendências comportamentais, no modo como as pessoas sentem as emoções, como pensam e processam as informações do mundo, destacando que esses processos ganham forma na interação com os contextos.

Quando se enfatiza a dimensão filogenética sobre como os indivíduos lidam com eventos que os cercam, o foco da explicação recai sobre aquilo que os torna semelhantes enquanto espécie. Existe um repertório comum de comportamentos frente a situações de perigo ou em situações de prazer. Eles se apoiam em interpretações dos contextos e ativam certas emoções; há padrões identificáveis sobre como as pessoas raciocinam acerca de eventos físicos e sociais.

A espécie humana atribui significados às coisas a partir do que pensa sobre o passado, o presente e o futuro, entre outros aspectos. Por mais diferentes que sejam os contextos históricos e culturais, é possível observar semelhanças nas variadas formas de interação que os indivíduos estabelecem entre si.

Este programa de atualização não está mais disponível para ser adquirido.
Já tem uma conta? Faça login