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CUIDADOS DE FISIOTERAPIA EM TERAPIA INTENSIVA PEDIÁTRICA

Cíntia Johnston

epub-BR-PROTIPED-C15V3_Artigo

Objetivos

Ao final da leitura deste capítulo, o leitor será capaz de

 

  • refletir sobre aspectos da avaliação de fisioterapia da criança gravemente doente;
  • determinar cuidados de prevenção que podem ser oferecidos à criança gravemente doente em ambiente de unidade de terapia intensiva (UTI);
  • indicar possíveis métodos de intervenção que podem ser prescritos e realizados pelo fisioterapeuta que atua em UTI pediátrica.

Esquema conceitual

Introdução

Este capítulo trata do tema cuidados de fisioterapia para pacientes pediátricos em unidade de terapia intensiva (UTI), visando a abordar o cuidado hospitalar em situações de média e alta complexidade. A complexidade e/ou gravidade clínica desse perfil de pacientes pode limitar os cuidados e as intervenções fisioterapia, mas não os excluem.

A proporção de crianças com doenças crônicas e/ou morbidades está aumentando (aproximadamente 50% em hospitais pediátricos),1–5 cujas consequências não estão totalmente estudadas nem identificadas, assim como os números reais não estão adequadamente estimados.2 Briassoulis e colaboradores6 analisaram uma amostra de 1.629 admissões consecutivas nas UTIs pediátricas gregas (período de 1996 a 2001) e constataram que 38% das crianças admitidas apresentavam comorbidades significativas.

Cremer e colaboradores,7 em um estudo transversal incluindo pacientes neonatais e pediátricos de 45 UTIs (pediátricas e/ou neonatais), com exclusão daqueles no pós-operatório, identificaram uma prevalência de 67% de crianças em situações crônicas, mesmo na disponibilização de uma equipe de reabilitação. Os autores referiram que a alta prevalência indicada pode estar relacionada com a baixa frequência de prescrição de fisioterapia neuromusculoesquelética. Nesse estudo, a doença de base predominantemente foi a de crianças com displasia broncopulmonar, com alto escore de gravidade (segundo o Pediatric Index of Mortality [PIM]), em uso de ventilação pulmonar mecânica (VPM) e com tempo prolongado no leito.

A decisão clínica nesses casos envolve uma série de etapas inter-relacionadas, que capacitam a equipe multiprofissional a planejar os cuidados e as intervenções de prevenção e de reabilitação, compatíveis com a situação clínica do paciente, com as necessidades e as metas da criança e de sua família, e que incluem:1–8

 

  • avaliação dos níveis de funcionalidade (prévio e atual) da criança;
  • organização, análise e interpretação dos dados da avaliação;
  • estabelecimento de metas de curto, médio e longo prazo;
  • desenvolvimento de um plano de intervenção apropriado para que as metas sejam alcançadas;
  • intervenção efetiva no paciente;
  • reavaliação da criança e dos resultados obtidos;
  • discussão em equipe multiprofissional;
  • orientação da equipe multiprofissional, do paciente, dos cuidadores e da família.

É preciso ter em mente que as etapas do processo de tomada de decisões para a intervenção e/ou o tratamento8 em UTI devem ser iniciadas pela avaliação da criança, considerando todos os sistemas (neurológico, cardíaco e respiratório, entre outros), independentemente de o paciente estar em respiração espontânea ou em suporte ventilatório.

Em decorrência de os cuidados ou as intervenções de fisioterapia incluírem a manipulação da criança, de alta complexidade nesse contexto, devem ser avaliadas a estabilidade fisiológica e a interação desses sistemas independentemente de a abordagem prevista ser de cuidados gerais (p. ex., posicionamento funcional no leito), fisioterapia cardiorrespiratória e/ou musculoesquelética.9

O fisioterapeuta, como integrante da equipe multiprofissional, atua em diversas etapas da tomada de decisão, como na prevenção ou na intervenção, no diagnóstico cineticofuncional, no diagnóstico diferencial, no prognóstico, na avaliação da qualidade das intervenções e na implementação e na avaliação de programas específicos, assim como nas orientações para a alta hospitalar e nos cuidados após a alta hospitalar.9