Entrar

Esse conteúdo é exclusivo para assinantes do programa.

TORÇÃO TESTICULAR

Sylvio Gilberto Ávila

Tayane Ribeiro Pienta

Carolina Oliveira de Paulo

Angélica Fonseca Noriega

epub-BR-PROEMPED-C7V3_Artigo3

Objetivos

Ao final da leitura deste capítulo, o leitor será capaz de

 

  • distinguir os principais diagnósticos diferenciais de escroto agudo em pediatria;
  • identificar um caso suspeito de torção testicular;
  • discutir o diagnóstico de torção testicular;
  • diferenciar, em casos específicos, exames de imagem complementares que reforcem o diagnóstico de torção testicular;
  • reconhecer o tratamento apropriado e precoce a pacientes com confirmação de torção testicular.

Esquema conceitual

Introdução

O espectro de doenças que afetam o escroto e seu conteúdo varia de achados incidentais a eventos que requerem diagnóstico e tratamento imediatos. O quadro clínico sindrômico, denominado escroto agudo, é caracterizado por dor testicular geralmente unilateral, aumento de volume da bolsa testicular, rubor, calor e edema.1

As principais condições que compõem o diagnóstico diferencial do quadro de escroto agudo são torção do cordão espermático (torção testicular), torção de apêndices intraescrotais (principalmente, o da hidátide de Morgagni), orquite e orquiepididimite aguda, edema escrotal idiopático, púrpura de Henoch-Schönlein (PHS) e tumores.1

A torção testicular ocorre principalmente em meninos com idade entre 10 e 19 anos, com prevalência de 1 em 4 mil. Os pacientes se apresentam classicamente com dor escrotal de início agudo, náuseas e vômitos. O diagnóstico é clínico, porém a ecografia com doppler colorido escrotal é frequentemente usada como adjuvante no diagnóstico.

O manejo da torção testicular é composto de exploração escrotal imediata, distorção e orquidopexia, pois a viabilidade testicular diminui com o tempo. As taxas de salvamento testicular são superiores a 90% se a exploração ocorrer nas primeiras 6 horas após o início dos sintomas. Essas taxas caem vertiginosamente depois disso.2

A torção testicular é uma emergência urológica frequente e seu reconhecimento e conduta precoces são necessários, visto que a janela terapêutica é estreita e são graves os prejuízos quando a correção é retardada. Trata-se do principal diagnóstico nas dores testiculares agudas, uma vez que demanda manejo emergencial com vistas a salvar o testículo afetado; resulta da torção do cordão espermático, comprometendo a vascularização do testículo. A isquemia testicular é crítica e, se não revertida rapidamente, leva a dano testicular permanente.3